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"Tenho observado – e posso estar errado – que o amor é um sentimento claro e absoluto apenas para quem não desfruta dele. Nós amamos, desesperadamente, a pessoa que nos deixou. Nosso amor é óbvio, e inabalável, por aquela criatura que nos deixa em permanente incerteza. Amamos ferozmente, claro, quem nunca deu sinal de nos querer. Se isso tudo é verdade, a moral da história é muito clara: nós amamos, realmente, e de forma permanente, o nosso desejo. Quando ele está saciado – pela certeza do amor e da presença do outro – então já não temos tanta convicção. Faz parte da nossa natureza perversa, eu acho.

Posto isso tudo, minha conclusão é que nos resta viver em paz com as nossas dúvidas insolúveis. Muitos de nós jamais terão certeza sobre o amor, mas isso não deve nos impedir de vivenciá-lo. Sigamos adiante com as dúvidas, as noites de paixão e as manhãs ensolaradas. Talvez o tempo nos responda, talvez façamos uma poesia ou uma música (...) Ivan Martins 

publicado por andresa às 01:21 | link do post | comentar